Aparelho ‘Xing ling’? Que nada, é Made in China

Ao menos no que se refere aos smartphones, os aparelhos chineses estão deixando de ser conhecidos pelo apelido genérico de ‘xing ling’ – dado aos produtos eletrônicos de baixa qualidade que imitam marcas conhecidas.

Fazendo aparelhos cada vez melhores e com dinheiro de sobra para gastar, as empresas chinesas de celulares e de tecnologia em geral estão mudando a percepção do mercado mundial em relação aos seus produtos e serviços. Um processo que poderia ser acelerado se os chineses investissem mais em posicionamento de marca e atendimento ao cliente.

Lenovo

A primeira grande marca chinesa a se tornar conhecida mundialmente foi a fabricante de notebooks Lenovo. Ela conquistou sua fatia global ao comprar a divisão de PCs da IBM e a de celulares da Motorola há alguns anos. No Brasil, adquiriu a CCE. E para quem acha que a Asus e a Acer vieram antes, é preciso destacar que ambas são taiwanesas.

No ramo de smartphones e telecomunicações, há empresas chinesas de classe mundial como Xiaomi e Huawei. Elas chegaram ao topo do multibilionário mercado consumidor da China vendendo produtos de alta qualidade a preços baixos. A Xiaomi contratou um brasileiro, Hugo Barra, para conduzir o processo de internacionalização nos mercados emergentes. No Brasil, os smartphones Xiaomi Mi 4 são um sucesso de vendas devido ao baixo preço e alto desempenho.

Tanto a Lenovo como a Xiaomi estão apostando em crescimento orgânico – compra de concorrentes e abertura de operações locais – para se tornarem conhecidos. No Ocidente, é preciso turbinar essa estratégia com construção de marcas e serviços de pós-venda (assistência técnica e atendimento ao cliente).

O exemplo da JAC

É um exemplo que as fabricantes chinesas de tecnologia poderiam aprender com a sua conterrânea JAC Motors. No Brasil, a montadora chinesa gastou uma fortuna para fazer com que o apresentador Faustão anunciasse seus carros na TV. Apesar da boa qualidade dos carros e preços em conta, as vendas patinaram. A JAC não avaliou que era preciso estocar peças de reposição em número suficiente para atender às demandas dos clientes. Elas demoravam a chegar e eram caras, porque tinham que ser enviadas da China.

De acordo com um executivo de marketing de uma empresa chinesa de tecnologia, os asiáticos são muito conservadores no que se refere a marketing e comunicação. Para construir marcas admiradas, ele lista algumas ações:

  1. a) ter um serviço de pós-venda impecável para nenhum consumidor falar mal da marca;
  2. b) ter um time de redes sociais trabalhando o engamento e simpatia do consumidor;
  3. c) apoiando causas que são caras aos consumidores: sustentabilidade e patrocínio de esportes;
  4. d) investir em publicidade “inspiracional”, que não é focada em venda, mas em mostrar uma imagem ‘cool’ da marca
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Além de smartphones, Xiaomi vende purificador de água. Faz sentido?

No mesmo 16 de julho em que a fabricante chinesa de celulares Xiaomi anunciava seu primeiro modelo de TV de alta definição, o Mi TV 2S, um novo purificador de água roubou as atenções do mercado de tecnologia.

O aparelho que desviou as atenções é o Mi Water Purifier, da própria Xiaomi. No formato de uma caixa branca comprida (tem 40 cm de altura e uns 20 cm de largura), o filtro cumpre bem a função de eliminar resíduos bacteriológicos, físicos e químicos da água.

Tecnologicamente falando, o grande diferencial do Mi Water é a interação por meio da internet das coisas. Pelo celular, é possível consultar a qualidade da água filtrada e o tempo que falta para a troca do filtro. Quando a hora chega, é possível comprar o refil pelo app do purificador.

Disponível na China, o aparelho custa 1.300 yuans (ou 670 reais, de acordo com a cotação média de julho). O brasileiro Hugo Barra, vice-presidente da Xiaomi, disse que a empresa pensa em levar o Mi Water para outros mercados – começando pela Índia. Para o Brasil, não há previsão.

A aposta da Xiaomi em produtos tão diversificados tem como objetivo atrair ainda mais a sua jovem clientela. Vendendo smartphones tão potentes quanto o das principais marcas pela metade do preço, a empresa conquistou dezenas de milhões de universitários e consumidores que estão entrando na vida adulta.

Assim que o seu público amadurecer, vai querer comprar utensílios para a casa. Começando com purificadores e TVs, a Xiaomi quer ser lembrada como uma marca de tecnologia e também de utilidades para o lar. Ou de estilo de vida, como a fabricante prefere.

Com muito dinheiro e capacidade de inovação, as empresas de tecnologia perceberam que podem reinventar produtos tradicionais. Enquanto a Apple e o Google se envolvem com carros próprios automatizados, a chinesa Xiaomi prefere diversificar seus produtos para segmentos mais caseiros.

O desenvolvimento acelerado da internet das coisas permitirá cada vez mais a comunicação virtual entre diversos objetos. Hoje, com um celular, é possível controlar remotamente a programação de TV ou checar se a água da casa está boa para beber. Amanhã, será a casa inteira.

A commoditização dos smartphones

Cabendo facilmente em bolsos e bolsas, os smartphones de cinco polegadas não chamam atenção e oferecem boa visualização de imagens e navegação nas redes sociais. Com a procura aquecida, tudo indica que esse será o novo padrão de mercado nos próximos anos. Na Ásia, continente que lidera o uso de celulares, esses aparelhos já são dominantes.

Uma pesquisa de 2014 da empresa de serviços de internet Jana Mobile revela que os  aparelhos com mais de 5 polegadas são desejados por 61% dos usuários brasileiros. Desse total, 18% gostariam de ter um aparelho com 5 polegadas. É nessa especificação que se encaixam o iPhone 6 (4,7 polegadas), o Xiaomi Mi 4 (5 polegadas) e os Samsung Galaxy S6 e S6 Edge (5,1 polegadas).

Ainda há quem prefira aparelhos maiores, mais chamativos e fisicamente parecidos com os mini-tablets. Os de 5,5 polegadas (iPhone 6 Plus) são os preferidos por 17%, e as telas maiores (Nexus 6, com 5,9 polegadas) são cobiçadas por 26% dos donos de smartphones.

Esse é o caminho

A Apple percebeu que o caminho é esse. Junto com o tamanho dos Iphones, subiu também o lucro da venda dos aparelhos. De acordo com o Wall Street Journal, o ganho da Apple no primeiro trimestre representou 92% de todos os lucros de smartphones, puxado pelos iPhone 6 e 6S. A Samsung ficou em segundo lugar, com 15%. Como outras fabricantes perderam mercado, o total de lucros de ambas superou os 100%.

É claro que a Samsung não se conformou com a segunda posição. Os novos Galaxy S6 e S6 Edge são bastante confiáveis e poderosos, mas as vantagens param por aí. Não houve, por exemplo, uma grande mudança nas funcionalidades do aparelho, no tamanho da tela e nem no design (ao contrário da concorrente americana). Resultado: os usuários não ficaram entusiasmados e as vendas caíram.

Para complicar, a chinesa Xiaomi anda pressionando a Samsung com modelos bons e baratos. Na China, a Xiaomi já vende mais que os sul-coreanos, e vem tirando a diferença em outros mercados.

Samsung desenvolve celular 3D

A Samsung está atrás de novidades para virar o jogo. Entre elas, a criação de baterias mais duradouras e uma nova tecnologia de telas para smartphone com resolução 11K, que representa 2.250 pixels por polegadas – uma visualização rica em detalhes que daria efeito tridimensional às imagens do aparelho. Para comparar, o iPhone 6 Plus tem resolução de 401 pixels por polegadas.

Cada grande fabricante tem modelos próprios de smartphone de cinco polegadas, como o Nexus 6 (Google), o LUMIA 1520 (Microsoft) e o G4 (LG). Mas enquanto os modelos se aproximam em tamanho e desempenho, é preciso que eles sejam mais baratos, para atender à crescente demanda mundial por smartphones.

A Xiaomi tem oferecido respostas convincentes ao desafio do bom e barato – uma realidade que a Apple, a Samsung e outras grandes não podem ignorar.

Você trocaria um táxi pelo Uber?

Do mesmo jeito que o aplicativo Uber está fazendo sucesso entre os usuários, está causando uma enorme polêmica. Pelo app, o consumidor pode fazer uma corrida em um carro de luxo e pagar com base na distância percorrida. Ou seja, usar um serviço de transporte gourmet, para usar a expressão da moda.

Quem não está nada feliz são os taxistas, que acusam o Uber de concorrência desleal. Ao contrário dos taxistas, os motoristas do Uber não precisam de licença para operar nem recolhem impostos – o que aumenta, de fato, a sua lucratividade. Além disso, os motoristas parceiros do Uber são particulares que compraram um veículo de luxo e resolveram se associar ao aplicativo.

Quem usou o Uber considerou o serviço muito bom. Os carros são novos, confortáveis e os motoristas trabalham de terno e gravata. Eles também são muito educados e atenciosos. E o valor da corrida não é tão diferente ao da tarifa cobrada pelos taxistas.

Em uma cidade como São Paulo, onde conseguir um táxi nos horários de pico é um exercício de paciência, o Uber pode ser uma alternativa viável. Para melhorar a convivência entre os taxistas, penso que o governo poderia estudar formas de regulamentar e taxar a atividade.

Proibir o app, como quer a Prefeitura de São Paulo, não parece ser a melhor solução. A tecnologia cria, muda e destroi negócios o tempo todo, e quem souber se adaptar terá uma grande vantagem competitiva.

No domingo (5/7), o colunista do Estadão Renato Cruz fala sobre a polêmica do Uber em São Paulo, emitindo uma opinião, a meu ver, bastante coerente: “o que chama atenção nessa história toda é que as autoridades, no lugar de buscar uma maneira de regularizar o serviço, procuram um jeito de tirá-lo de operação. Se o Uber não paga impostos, deveria ser autuado pela Secretaria Municipal de Finanças, e começar a pagá-los. Se representa concorrência desleal aos táxis, deveria ser criado um regulamento para reduzir essa assimetria, de preferência facilitando a vida dos taxistas, e não dificultando a atuação do Uber.”

Consumo consciente de energia é bom para o bolso e a natureza

Prepare o bolso, paulistano. Em julho, a conta de energia vai ficar 17% mais cara do que a de junho. Esse aumento se juntou aos demais que aconteceram no ano e deixou a conta 75% maior do que a tarifa cobrada em dezembro de 2014.

Seja você um abonado ou não, a ocasião é ótima para aderir de vez ao consumo consciente. Quem não vive sem celular, por exemplo, pode aprender a usar melhor a bateria. Isso será mais prático do que passar o dia inteiro usando a rede do Starbuck’s, do trabalho ou até da academia.

Pelas contas do TechTudo, deixar os carregadores de celular e tablet na tomada por 16 horas custa R$ 3,76. Pouco? Em um mês de 30 dias, são R$ 169,20. Ou R$ 2.064,24 em um ano de 366 dias.

A carga de energia necessária para fazer uma bateria funcionar é muito inferior ao que é necessário para ligar uma geladeira ou chuveiro elétrico. Mas seu uso correto preserva a vida útil do equipamento e evita o descarte precoce na natureza.

É bom lembrar que a busca de eficiência energética é um dos maiores desafios de responsabilidade sócio-ambiental para as indústrias eletrônicas. Dado que bilhões de seres humanos usam celulares e outros dispositivos, o que poderia representar o impacto de centenas de milhões de celulares jogados na natureza?