Os jogos made in Brazil que fazem sucesso. E vem mais por aí

No concorrido mercado de jogos, produtoras nacionais de games indies vêm chamando a atenção do mundo – e até do governo – com trabalhos criativos, envolventes e com bom nível artístico. A gaúcha Swordtales e a brasiliense Behold Studios ficaram conhecidas por lançar, respectivamente, Toren (um conto de fadas em estilo aventura) e Chroma Squad (RPG que homenageia antigos seriados japoneses).

Em Toren, o jogador controla a mocinha Moonchild (Criança da Lua, em português), presa na torre que tem o mesmo nome do jogo. Ela está na parte de baixo do cativeiro e precisa chegar ao topo para se libertar, não sem antes resolver uma série de desafios pelo caminho e depois enfrentar um dragão. À medida que o jogo avança, sua origem vai sendo revelada, assim como o universo a que pertence.

Já o Chroma Squad é um desafio dois em um. A história começa quando cinco dublês de um programa de super sentais (aqueles heróis japoneses de roupas colantes apertadas e coloridas, como os Power Rangers, que saem combatendo monstros pela cidade) resolve fazer o seu próprio show de TV.

O jogador controla o grupo de cinco heróis, que precisa gravar programas de sentai começando do zero: contratando atores, definindo figurinos e criando um bom roteiro. À medida que a audiência sobe, mais dinheiro entra, o que permite comprar equipamentos melhores de gravação e brigar com a concorrência em melhores condições no modo multiplayer.

E o Horizon Chase, da gaúcha Aquiris, agradou o público com uma corrida de carros em 2D com visual retrô que tem ao fundo paisagens como o Rio de Janeiro e a Chapada Diamantina.

O sucesso do jogo está na simplicidade, garante Israel Mendes, diretor de marketing da Aquiris. “Os jogos estão mais complexos. Antigamente, o foco era a diversão. Hoje é a simulação, o que afasta o jogador que quer algo descompromissado e que não sabe o que é suspensão ou torque.”

Essas são alguns jogos em evidência. Há outros bem recomendados, como o Aritana e a Pena da Harpia e o 99Vidas, onde os desenvolvedores buscam recursos para terminar o jogo via crowdfunding.

De todos os games citados, o Toren foi o único que conseguiu captar investimentos por meio da Lei Rouanet. Mas os bons resultados das desenvolvedoras não passaram despercebidos pelo governo, que estuda formas de ajudar novos desenvolvedores a se destacar no mercado.

Uma reunião entre representantes do setor privado e órgãos do governo ocorrida em setembro reuniu a Abragames (associação de desenvolvedores de jogos digitais) e os ministérios da Cultura (MinC), Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e Educação (MEC), para reunir informações e experiências e criar políticas públicas de desenvolvimento de games.

Também participaram o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), SP Cine e Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Ale McHaddo, presidente da Abragames, disse que o objetivo é regulamentar o setor, definir regras claras para o mercado e criar mecanismos de fomento financeiro em produções nacionais.

O que todos concordam é que não se trata apenas de baixar impostos para baratear o preço dos videogames. Desenvolver uma indústria nacional de games passa pelo surgimento de mais cursos para desenvolvedores, criação de mercado consumidor e capilaridade de investimentos. Com a reunião entre governo e setor privado, fica uma sensação otimista de que o caminho está aberto.

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