O Internet Explorer aposentado? A Microsoft, sua fabricante, não descarta essa possibilidade

A Microsoft vem causando. Na conferência ‘O’Reilly Next: Economy summit’, realizada em novembro na Califórnia, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, declarou que a inteligência artificial da nova geração de assistentes virtuais – e é claro que ele se referiu ao app da casa Cortana – aposentará os browsers de internet como principal ferramenta de navegação. Isso quer dizer que a Microsoft pretende “matar” o seu browser Internet Explorer e demais concorrentes?

IExplorer

É por aí. No futuro previsto pelo CEO da Microsoft, os assistentes virtuais tomarão o lugar dos browsers como interface de navegação. “Para mim, a Inteligência Artificial vai acontecer. É uma tecnologia inevitável”, disse Nadella.

O que o executivo disse é que assistentes virtuais como o Cortana, Siri (Apple), Google Now e, futuramente, o M (Facebook), terão poder crescente de processamento de dados e algoritmos mais sofisticados que identificarão padrões de busca e eliminarão a necessidade de o usuário navegar através dos aplicativos para achar o que procura.

Quer pesquisar uma informação ou localidade no PC, smartphone ou tablet? Fale com o assistente virtual. Ele saberá exatamente o que abrir, prevê Nadella.

Mas será mesmo que as pessoas vão querer andar pelas ruas batendo o maior papo com o celular perguntando, por exemplo, quais as principais notícias do dia? A tecnologia atual é capaz de oferecer essa interação com precisão crescente, mas ainda é preciso enfrentar a resistência cultural de ter que verbalizar as buscas (sim, estou falando de vergonha alheia) e também o costume de pesquisar por escrito.

Tudo pode mudar com uma boa experiência de uso dos assistentes digitais, é claro. Hoje, pelo que vejo, não é comum entre amigos e estranhos que converso nos fóruns de debate quem costume usar assistentes pessoais com frequência, seja para pesquisar coisas ou até mesmo fazer ligações.

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A reinvenção da Microsoft

Mais um ponto para a Microsoft. Lançado no final de outubro, o Surface Book, híbrido de tablet e notebook da companhia, surpreendeu a crítica especializada com seu alto desempenho e design inovador.

Microsoft Surface Book

O novo 2-em-1 da Microsoft não é barato (US$ 1.499), mas a empresa garante que o hardware do Surface Book oferece uma performance duas vezes maior que o do MacBook Pro 13′ (US$ 1.299), seu concorrente direto.

O motor do Surface é o processador Intel Skylake i7, versão superior ao i5 de quarta geração do MacBook. Traduzindo em miúdos, o Surface tem potência de sobra para rodar tarefas que exigem alta capacidade de hardware, como edição de vídeos e renderização de gráficos 3D.

Em termos de memória RAM, o Surface tem um dispositivo de 16 GB que armazena 1 TB de disco de estado sólido, ao contrário do MacBook, que oferece até 512 GB de SSD. Mas a cereja do bolo do Surface é a placa de vídeo GDDR5 Nvidia GeForce, superior ao Intel Iris 6100 do Macbook. Para extrair o máximo desempenho do chip gráfico, a Microsoft convocou sua equipe do Xbox. O notebook foi feito para atuação corporativa, mas é possível rodar alguns jogos pesados sem a configuração cheia.

O design também agradou muito. Assim como o MacBook, o Surface é feito de ligas de magnésio, mas o note da Microsoft vem com dobradiças que se movem junto com a tela.

Usando como tablet, a tela de 13 polegadas do Surface é grande e relativamente pesada (0,8 kg). Assim, ler ou assistir a um filme no Surface fica mais confortável quando ele está no colo.

O sistema operacional Windows 10 também foi um grande acerto da Microsoft. Além da volta do menu Iniciar, o sistema oferece mais interação entre plataformas e ainda pode ser baixado de graça.

Depois de alguns anos patinando com produtos que não agradaram (Windows Phone e o Windows 8), a Microsoft ressurge no mercado ao se revelar um inovador fabricante de hardware. A aposta no segmento 2-em-1 (tablet e notebook) trouxe ao mundo a linha Surface, e leva os concorrentes Apple e Lenovo a correr atrás do desenvolvimento de modelos próprios.

Para crescer no mercado de streaming, Amazon vai parar de vender Chromecast e Apple TV

É melhor correr. A partir do dia 29 de outubro, a Amazon vai deixar de vender os aparelhos de streaming Chromecast, do Google, e Apple TV, da Apple. A justificativa da Amazon é que eles “não interagem bem” com o seu serviço de streaming Prime Video.

Justificando a decisão, a Amazon disse que “é importante que os tocadores de mídia por streaming que vendemos interajam bem com o Prime Video, de modo a evitar confusões para o cliente”.

Em contrapartida, o dispositivo de streaming Roku, de fabricante própria, e os consoles Xbox One (Microsoft) e PlayStation (Sony) rodam perfeitamente o Prime Video, e continuarão no catálogo de vendas, segundo a Amazon. Para isso, basta plugar o dispositivo Fire TV nos aparelhos e assistir ao conteúdo do Prime Video ou até do concorrente Netflix.

De acordo com a agência Parks Associates, 86% dos aparelhos de streaming usados nas residências americanas são da Amazon, Apple, Google ou Roku. Com 34% de participação de mercado, a Roku lidera, seguida pelo Google (23%). No ano passado, a Amazon tomou da Apple a terceira posição do mercado de dispositivos de streaming.

Analistas de mercado ouvidos pela Bloomberg disseram que a decisão da Amazon de interromper as vendas do Chromecast e Apple TV em seu canal é uma forma de turbinar as vendas do Prime Video. Um deles, Michael Pachter, da Wedbush Securities, questiona a eficácia da estratégia.

“Creio que a desculpa de evitar confusão para o consumidor é uma tentativa não muito velada de favorecer os produtos da Amazon em detrimento dos demais, e considero isso uma jogada ruim (da Amazon).”

O que Pachter provavelmente viu é que a Amazon parece estar disposta a sacrificar as vendas de aparelhos populares e apostar no próprio produto. Que, aliás, vai muito bem de conteúdo. A série ‘Transparent’, produzida pela Amazon, é um sucesso de audiência e puxou a onda de novos assinantes. Ela também ganhou o Globo de Ouro deste ano como melhor série de comédia e de melhor ator do gênero (Jeffrey Tambor, que dá vida a um pai de família que assume ser transexual).

Na briga pela preferência do público, o Google deve ser mais afetado que a Apple. Ao contrário da concorrente, o Google não tem lojas próprias, e deve sofrer um pouco mais o baque da perda de um canal de vendas. O que não deve demorar muito, porque a boa aceitação do Chromecast deve fazer com que a gigante de internet caia nos braços de varejistas concorrentes da Amazon, como a Best Buy.

Sem volante e sem pedais: o carro do Google vem aí

Se depender do Google, dirigir com as mãos no volante vai virar coisa do passado dentro de alguns anos. Até 2020, deverão estar disponíveis nas lojas americanas as primeiras versões comerciais do Google Self-Driving Car, um miniveículo de dois lugares mais conhecido pela sigla SDC.

O carrinho parece uma miniatura do Fiat 500, mas tem espaço de sobra para acolher os dois passageiros. Será que é porque não tem volante nem pedais? Provavelmente sim, porque eles não fazem falta no protótipo.

Sensores no teto e nas laterais do carro são ativados assim que o motor é ligado. Para isso, basta apertar o botão no meio dos passageiros. Nesse instante, o carro se conecta com o Google Street View, que calcula a melhor rota a ser usada.

Sistemas de inteligência artificial, radares e sensores LIDAR (tecnologia ótica que usa ondas de luz para colher informações sobre o ambiente) começam a guiar o carro pelas ruas, a uma velocidade de aproximadamente 40 km/h.

A sensibilidade do carro para obstáculos é grande, de acordo com os desenvolvedores do projeto. Quando necessário, o SDC respeita sinais vermelhos e desvia de pedestres, ciclistas e outros carros.

Ok, mas qual a chance de um carro sem volante, de dois lugares e que não ultrapassa 40 km/h fazer sucesso? Na verdade, o SDC cai como uma luva para pessoas idosas, com alguma limitação física ou que simplesmente não querem dirigir.

Certamente o carro do Google não vai tornar os carros atuais obsoletos. Tanto que a própria empresa descartou a ideia de se posicionar como fabricante de automóveis. O objetivo do SDC é se tornar uma opção de mobilidade para pessoas que não querem ou não podem dirigir.

Nos Estados Unidos, a infraestrutura tecnológica de dados torna o desenvolvimento de um invento como o SDC totalmente viável. Por aqui, resta torcer para a nossa rede de dados aumentar e suportar a navegação por GPS em larga escala para, quem sabe, ter os SDC no menor tempo possível.

Os jogos made in Brazil que fazem sucesso. E vem mais por aí

No concorrido mercado de jogos, produtoras nacionais de games indies vêm chamando a atenção do mundo – e até do governo – com trabalhos criativos, envolventes e com bom nível artístico. A gaúcha Swordtales e a brasiliense Behold Studios ficaram conhecidas por lançar, respectivamente, Toren (um conto de fadas em estilo aventura) e Chroma Squad (RPG que homenageia antigos seriados japoneses).

Em Toren, o jogador controla a mocinha Moonchild (Criança da Lua, em português), presa na torre que tem o mesmo nome do jogo. Ela está na parte de baixo do cativeiro e precisa chegar ao topo para se libertar, não sem antes resolver uma série de desafios pelo caminho e depois enfrentar um dragão. À medida que o jogo avança, sua origem vai sendo revelada, assim como o universo a que pertence.

Já o Chroma Squad é um desafio dois em um. A história começa quando cinco dublês de um programa de super sentais (aqueles heróis japoneses de roupas colantes apertadas e coloridas, como os Power Rangers, que saem combatendo monstros pela cidade) resolve fazer o seu próprio show de TV.

O jogador controla o grupo de cinco heróis, que precisa gravar programas de sentai começando do zero: contratando atores, definindo figurinos e criando um bom roteiro. À medida que a audiência sobe, mais dinheiro entra, o que permite comprar equipamentos melhores de gravação e brigar com a concorrência em melhores condições no modo multiplayer.

E o Horizon Chase, da gaúcha Aquiris, agradou o público com uma corrida de carros em 2D com visual retrô que tem ao fundo paisagens como o Rio de Janeiro e a Chapada Diamantina.

O sucesso do jogo está na simplicidade, garante Israel Mendes, diretor de marketing da Aquiris. “Os jogos estão mais complexos. Antigamente, o foco era a diversão. Hoje é a simulação, o que afasta o jogador que quer algo descompromissado e que não sabe o que é suspensão ou torque.”

Essas são alguns jogos em evidência. Há outros bem recomendados, como o Aritana e a Pena da Harpia e o 99Vidas, onde os desenvolvedores buscam recursos para terminar o jogo via crowdfunding.

De todos os games citados, o Toren foi o único que conseguiu captar investimentos por meio da Lei Rouanet. Mas os bons resultados das desenvolvedoras não passaram despercebidos pelo governo, que estuda formas de ajudar novos desenvolvedores a se destacar no mercado.

Uma reunião entre representantes do setor privado e órgãos do governo ocorrida em setembro reuniu a Abragames (associação de desenvolvedores de jogos digitais) e os ministérios da Cultura (MinC), Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e Educação (MEC), para reunir informações e experiências e criar políticas públicas de desenvolvimento de games.

Também participaram o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), SP Cine e Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Ale McHaddo, presidente da Abragames, disse que o objetivo é regulamentar o setor, definir regras claras para o mercado e criar mecanismos de fomento financeiro em produções nacionais.

O que todos concordam é que não se trata apenas de baixar impostos para baratear o preço dos videogames. Desenvolver uma indústria nacional de games passa pelo surgimento de mais cursos para desenvolvedores, criação de mercado consumidor e capilaridade de investimentos. Com a reunião entre governo e setor privado, fica uma sensação otimista de que o caminho está aberto.

Internet das coisas: os aparelhos da Samsung que vão deixar sua vida mais conectada

Na IFA, maior feira de tecnologia da Europa que acabou no último dia 7, a Samsung mostrou como as casas vão funcionar quando os aparelhos domésticos forem conectados à internet.

“Para a Samsung, a IFA 2015 tem tudo a ver com a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). Temos certeza que a IoT vai revolucionar o mundo dos eletrônicos de consumo, e esta é a nossa oportunidade de atualizar a todos sobre o quanto avançamos em apenas um ano”, disse Won-Pyo Hong, diretor de marketing da Samsung Electronics.

Hong se referia a dispositivos como o SmartThings, sensor em forma de cubo que envia informações ao app instalado no smartphone sobre todos os produtos que estiverem conectados à plataforma. Isso quer dizer que, do celular, o dono pode ligar e monitorar câmeras, cafeteiras e até a máquina de lavar.

O cubo se conecta a outros sensores que fazem funções diversas, como detecção de movimento, câmeras e controle de eletrodomésticos. No trabalho, uma mãe pode receber uma mensagem ou visualizar as imagens de seu filho chegando em casa.

O mesmo processo de monitoramento pode ser usado para saber se alguém invadiu a casa: quando há movimento, as câmeras são acionadas e disparam as imagens pelo smartphone.

O SmartThings não foi o único dispositivo IoT anunciado pela fabricante coreana. O SleepSense é um monitor inteligente de sono, que ajuda o usuário a dormir melhor. Colocado debaixo do colchão, o aparelho registra a respiração, os batimentos cardíacos e a movimentação durante o sono. E quando o usuário adormece, o dispositivo desliga automaticamente a TV e ajusta o ar condicionado para a configuração mais favorável a um sono tranquilo.

Ao acordar no dia seguinte, o usuário pode ligar a cafeteira via celular, enquanto se lava e escova os dentes, e tomar o café logo em seguida. Saindo para o trabalho, se o dono tiver uma BMW ou Volkswagen, pode destravar o carro remotamente e checar as condições de funcionamento do veículo pelo smartphone.

Ao dirigir, pode conectar o celular ao carro e receber ligações, ouvir a música do playlist e consultar a melhor rota para o trabalho. Mas, por enquanto, a Samsung só tem parceria de IoT com as duas montadoras.

As tecnologias de IoT caminham a passos largos, como demonstrou o executivo da Samsung. O futuro em que as pessoas podem monitorar o que se passa em suas casas já é realidade.

Por outro lado, o preço cobrado pela tecnologia é que o usuário tem que andar com um celular o tempo inteiro, para checar informações e interagir no mundo virtual. Para quem acha que isso está longe de ser uma comodidade, o jeito é deixar o smartphone desligado e esquecer o mundo virtual por pelo menos algumas horas.

Mais seguro e sob demanda: a liberdade de assistir conteúdo digital via streaming

Enquanto o Netflix, líder de conteúdo por streaming, dá os primeiros passos na produção de filmes para cinema, a Apple, que estreou no nicho de streaming com o Apple Music, agora pensa em criar filmes em um serviço próprio de vídeos sob demanda para a TV.

É uma forma de não ficar para trás em um segmento que se populariza no mundo inteiro, e que anda derrubando o mercado de downloads de música, filmes e jogos. A Apple sentiu na pele o que isso significa, uma vez que o seu serviço de downloads iTunes está sendo diretamente afetado.

Faz todo o sentido colocar os pés na seara do streaming. O instituto Nielsen Music divulgou que em 2014 a venda de álbuns digitais via download caiu 9% e a de músicas, 12%, ao mesmo tempo em que o consumo de serviços de streaming de vídeo e áudio cresceu 50% – o que dá 164 bilhões de musicas transmitidas. Diante dessa movimentação, ninguém duvida que a principal forma de consumo de música e vídeo nos próximos anos será via streaming.

A regra do jogo é aumentar a base de clientes, para depois cobrar por serviços agregados. A sueca Spotify, por exemplo, oferece um acervo de mais de 30 milhões de canções disponíveis aos seus sessenta milhões de usuários. Quinze milhões deles assinam a versão paga, o que dá a eles o direito de usar o app sem visualizar anúncios entre uma música e outra e também ouvir em modo offline.

Mesmo quem não é do ramo está adaptando suas plataformas para o streaming. Facebook e Twitter estão desenvolvendo funcionalidades para vídeos gravados e transmissões ao vivo, oferecendo à sua audiência novas experiências interativas.

Os fãs de streaming argumentam que assistir conteúdo sob demanda é mais seguro do que baixar arquivos de origem desconhecida. Além disso, é uma forma de acessar conteúdo legalmente, o que aumenta as possibilidades dos autores de viver de suas obras.

Eles também se sentem mais livres de uma programação rígida e pouco flexível oferecida pelos estúdios de TV. Via streaming, eles podem assistir ao conteúdo quando e onde bem entenderem. Isso muda a forma como se mede a audiência. O fato de um programa ter baixa receptividade na hora da transmissão não é mais um sinal inequívoco de que ela tem que ser cancelada. Ela pode ser armazenada em sistemas de transmissão via internet para visualizações futuras.

A transmissão por streaming não está mudando apenas o formato de conteúdo próprio das emissoras. O site Twitch.tv, por exemplo, permite streaming de jogos online e já tem 50 milhões de acessos mensais. Os usuários podem acompanhar os jogos em tempo real e interagir com os jogadores via chat ou voz. Empreendedores podem criar cursos à distância, ou mesmo a transmissão de eventos ao vivo.

Operadoras de telefonia querem competir em igualdade com Netflix e WhatsApp no Brasil

A discussão vai esquentar. Em um congresso de telecomunicações no início de agosto, o presidente da operadora Telefonica/ Vivo, Amos Genish, chamou o aplicativo WhatsApp de “pirata”, acusando a empresa americana de se aproveitar da infraestrutura de telefonia sem dar as mesmas contrapartidas tributárias das operadoras do setor.

“É pirataria no pior sentido, é um operador na Califórnia, usando nossos números e clientes e sem obrigações regulatórias, jurídicas e fiscais (no Brasil)”, disparou Genish.

Assim como o Facebook (que controla o WhatsApp) e Netflix, o app de conversa usa um modelo de negócio conhecido no mercado como over-the-top (OTT, serviço baseado em outro oferecido por uma operadora – no caso, chamadas de áudio, vídeo e mensagens).

Genish argumenta que nenhuma das operadoras OTT está obrigada a contribuir com o Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações), criado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Na Vivo, por exemplo, a contribuição ao fundo chega a quatro bilhões de reais todo ano, de acordo com o executivo.

Por esse e outros motivos, Genish fez questão de dizer que a Vivo nunca fará parceria comercial com o WhatsApp. Em relação ao app, as demais operadoras mostram estratégias distintas. A Claro oferece acesso gratuito ao app na compra do seu pacote de dados, enquanto que a Tim cobra pelo serviço e a Oi não inclui o app no pacote de dados.

O que há em comum entre as operadoras é o desejo de ver o mercado de banda larga regulamentado. Elas querem entregar até o final do ano um documento solicitando regras de atuação para serviços como o WhatsApp e o Netflix. As operadoras alegam que as empresas OTT usam a infraestrutura de dados e telefonia sem pagar por elas.

A Netflix se defendeu, dizendo que é uma empresa sediada no Brasil e paga, sim, todos os impostos devidos. Mas não os do setor de telefonia, porque não pertencem ao ramo – argumentação confirmada pela Anatel.

Em entrevista ao Revista Brasil, a advogada especialista em Direito Digital Gisele Arantes discordou da tese das operadoras de que as OTT usam a infraestrutura delas de graça. “Quando um usuário utiliza o WhatsApp, por exemplo para o serviço de voz, antes de mais nada está demandando um serviço de dados da operadora, então ele não está pagando pela ligação, que ele pagaria pelo plano normal, mas está pagando pelo serviço da internet. Não utiliza o plano de voz, mas utiliza o plano de dados”, argumenta a especialista.

O governo já deixou claro que pretende atuar na questão. No dia 19, o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, afirmou que é preciso regulamentar aplicativos como Whatsapp, Skype, Netflix e Youtube. “Dá para dizer que esses aplicativos estão operando à margem da lei”, segundo o ministro, que defende “tratamento equânime a serviços de telecomunicações e novos serviços de internet”.

A polêmica que está acontecendo no setor de telecomunicações é parecida com a que acontece entre os taxistas e o aplicativo Uber. Com tempo, é possível regulamentar e taxar uma nova atividade, gerando impostos para o governo e oportunidades de empreendedorismo. Mas, no caso da polêmica da banda larga, desestimular o seu surgimento vai atrasar a desenvolvimento tecnológico, além de ir contra a democratização do acesso à rede mundial de computadores previsto no Marco Civil da Internet.

PSafe nega concorrência desleal

A desenvolvedora PSafe, criadora do app PSafe Total, negou no dia 17/8 a acusação de concorrência desleal do Baidu, recebendo com “indignação e estranheza” a ação do concorrente. A PSafe também se coloca à disposição das autoridades brasileiras para esclarecimentos referentes ao episódio.

Em comunicado oficial, a companhia esclarece que está sendo “injustamente atacada, mas continuará defendendo o mercado nacional de tecnologia e segurança na internet, por considerar que a internet segura é um bem público para o brasileiro.”

No dia 14/8, a Baidu teria entrado com um processo na Justiça de São Paulo contra a Psafe, alegando que a mesma estaria manipulando informações e praticando concorrência desleal. A multa seria de mais de R$ 500 mil e a exclusão do app PSafe Total do Google Play, em caso de condenação.

De acordo com a PSafe, as acusações da Baidu não têm “mérito”, pois nunca registrou sites para atacar competidores. “A PSafe apenas criou sites que ficaram no ar durante curto período, focados em ajudar os internautas brasileiros a resolver problemas causados pelos produtos da Baidu para PC, problemas estes que são alvos de críticas até hoje.”

Entre os produtos da concorrente citados pela PSafe, estão os apps Hao123, PC Faster, Baidu Antivirus e Spark Browser. Como os usuários reclamavam da dificuldade de desinstalar os aplicativos, a PSafe disse que criou soluções voltadas ao tema.

Um dos motivos de a Baidu entrar na Justiça contra a PSafe foi que o app PSafe Total estaria selecionando programas da Baidu para desinstalação.

Um pesquisador contratado pela Baidu testou o PSafe Total em smartphones com apps do Baidu e apareceram alertas falando dos “riscos” desses app ao usuário, pois, ao “pedir permissões excessivas”, o uso poderia ter fins “maliciosos”. O PSafe Total também excluiria apps do Baidu (mesmo muito usados), na hora de deletar apps pouco usados. E um app criado exclusivamente para testes e sem função, o Dummy Browser, teria sido classificado como “perigoso” pelo PSafe Total.

Procurado pelo ResenhaTech para falar sobre o teste, o PSafe não respondeu até a publicação deste post. Caso haja resposta, ela será publicada.

Justiça manda Psafe remover mensagens falsas sobre a concorrência

A desenvolvedora de software PSafe foi proibida pela Justiça de São Paulo de veicular mensagens contra o aplicativo DU Speed Booster, do concorrente Baidu, que classifica o app como “vírus” ou aplicação de “alto risco”. A decisão foi proferida na 11ª Vara de Justiça Cível de São Paulo na segunda-feira (17/8), e o PSafe tem até cinco dias úteis para cumprir a decisão judicial. A sentença também determina que a PSafe “não estimule, de forma direta ou indireta” a remoção de aplicativos do Baidu”.

O Baidu provou que o app PSafe Total emitia alertas falsos sobre o antivírus e acelerador DU Speed Booster, alegando que a aplicação oferece riscos ao usuário. A Justiça entendeu que as mensagens do PSafe não se justificam e devem ser removidas.
A pedido do Baidu, o pesquisador Paulo Lício de Geus, professor associado da Unicamp e doutor em Ciências da Computação pela Universidade de Manchester, comprovando que o app da PSafe tratava qualquer app do Baidu como “poucos usados”, e sugeria aos consumidores que removesse os arquivos.