O Internet Explorer aposentado? A Microsoft, sua fabricante, não descarta essa possibilidade

A Microsoft vem causando. Na conferência ‘O’Reilly Next: Economy summit’, realizada em novembro na Califórnia, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, declarou que a inteligência artificial da nova geração de assistentes virtuais – e é claro que ele se referiu ao app da casa Cortana – aposentará os browsers de internet como principal ferramenta de navegação. Isso quer dizer que a Microsoft pretende “matar” o seu browser Internet Explorer e demais concorrentes?

IExplorer

É por aí. No futuro previsto pelo CEO da Microsoft, os assistentes virtuais tomarão o lugar dos browsers como interface de navegação. “Para mim, a Inteligência Artificial vai acontecer. É uma tecnologia inevitável”, disse Nadella.

O que o executivo disse é que assistentes virtuais como o Cortana, Siri (Apple), Google Now e, futuramente, o M (Facebook), terão poder crescente de processamento de dados e algoritmos mais sofisticados que identificarão padrões de busca e eliminarão a necessidade de o usuário navegar através dos aplicativos para achar o que procura.

Quer pesquisar uma informação ou localidade no PC, smartphone ou tablet? Fale com o assistente virtual. Ele saberá exatamente o que abrir, prevê Nadella.

Mas será mesmo que as pessoas vão querer andar pelas ruas batendo o maior papo com o celular perguntando, por exemplo, quais as principais notícias do dia? A tecnologia atual é capaz de oferecer essa interação com precisão crescente, mas ainda é preciso enfrentar a resistência cultural de ter que verbalizar as buscas (sim, estou falando de vergonha alheia) e também o costume de pesquisar por escrito.

Tudo pode mudar com uma boa experiência de uso dos assistentes digitais, é claro. Hoje, pelo que vejo, não é comum entre amigos e estranhos que converso nos fóruns de debate quem costume usar assistentes pessoais com frequência, seja para pesquisar coisas ou até mesmo fazer ligações.

Anúncios

Para crescer no mercado de streaming, Amazon vai parar de vender Chromecast e Apple TV

É melhor correr. A partir do dia 29 de outubro, a Amazon vai deixar de vender os aparelhos de streaming Chromecast, do Google, e Apple TV, da Apple. A justificativa da Amazon é que eles “não interagem bem” com o seu serviço de streaming Prime Video.

Justificando a decisão, a Amazon disse que “é importante que os tocadores de mídia por streaming que vendemos interajam bem com o Prime Video, de modo a evitar confusões para o cliente”.

Em contrapartida, o dispositivo de streaming Roku, de fabricante própria, e os consoles Xbox One (Microsoft) e PlayStation (Sony) rodam perfeitamente o Prime Video, e continuarão no catálogo de vendas, segundo a Amazon. Para isso, basta plugar o dispositivo Fire TV nos aparelhos e assistir ao conteúdo do Prime Video ou até do concorrente Netflix.

De acordo com a agência Parks Associates, 86% dos aparelhos de streaming usados nas residências americanas são da Amazon, Apple, Google ou Roku. Com 34% de participação de mercado, a Roku lidera, seguida pelo Google (23%). No ano passado, a Amazon tomou da Apple a terceira posição do mercado de dispositivos de streaming.

Analistas de mercado ouvidos pela Bloomberg disseram que a decisão da Amazon de interromper as vendas do Chromecast e Apple TV em seu canal é uma forma de turbinar as vendas do Prime Video. Um deles, Michael Pachter, da Wedbush Securities, questiona a eficácia da estratégia.

“Creio que a desculpa de evitar confusão para o consumidor é uma tentativa não muito velada de favorecer os produtos da Amazon em detrimento dos demais, e considero isso uma jogada ruim (da Amazon).”

O que Pachter provavelmente viu é que a Amazon parece estar disposta a sacrificar as vendas de aparelhos populares e apostar no próprio produto. Que, aliás, vai muito bem de conteúdo. A série ‘Transparent’, produzida pela Amazon, é um sucesso de audiência e puxou a onda de novos assinantes. Ela também ganhou o Globo de Ouro deste ano como melhor série de comédia e de melhor ator do gênero (Jeffrey Tambor, que dá vida a um pai de família que assume ser transexual).

Na briga pela preferência do público, o Google deve ser mais afetado que a Apple. Ao contrário da concorrente, o Google não tem lojas próprias, e deve sofrer um pouco mais o baque da perda de um canal de vendas. O que não deve demorar muito, porque a boa aceitação do Chromecast deve fazer com que a gigante de internet caia nos braços de varejistas concorrentes da Amazon, como a Best Buy.

Sem volante e sem pedais: o carro do Google vem aí

Se depender do Google, dirigir com as mãos no volante vai virar coisa do passado dentro de alguns anos. Até 2020, deverão estar disponíveis nas lojas americanas as primeiras versões comerciais do Google Self-Driving Car, um miniveículo de dois lugares mais conhecido pela sigla SDC.

O carrinho parece uma miniatura do Fiat 500, mas tem espaço de sobra para acolher os dois passageiros. Será que é porque não tem volante nem pedais? Provavelmente sim, porque eles não fazem falta no protótipo.

Sensores no teto e nas laterais do carro são ativados assim que o motor é ligado. Para isso, basta apertar o botão no meio dos passageiros. Nesse instante, o carro se conecta com o Google Street View, que calcula a melhor rota a ser usada.

Sistemas de inteligência artificial, radares e sensores LIDAR (tecnologia ótica que usa ondas de luz para colher informações sobre o ambiente) começam a guiar o carro pelas ruas, a uma velocidade de aproximadamente 40 km/h.

A sensibilidade do carro para obstáculos é grande, de acordo com os desenvolvedores do projeto. Quando necessário, o SDC respeita sinais vermelhos e desvia de pedestres, ciclistas e outros carros.

Ok, mas qual a chance de um carro sem volante, de dois lugares e que não ultrapassa 40 km/h fazer sucesso? Na verdade, o SDC cai como uma luva para pessoas idosas, com alguma limitação física ou que simplesmente não querem dirigir.

Certamente o carro do Google não vai tornar os carros atuais obsoletos. Tanto que a própria empresa descartou a ideia de se posicionar como fabricante de automóveis. O objetivo do SDC é se tornar uma opção de mobilidade para pessoas que não querem ou não podem dirigir.

Nos Estados Unidos, a infraestrutura tecnológica de dados torna o desenvolvimento de um invento como o SDC totalmente viável. Por aqui, resta torcer para a nossa rede de dados aumentar e suportar a navegação por GPS em larga escala para, quem sabe, ter os SDC no menor tempo possível.

Os jogos made in Brazil que fazem sucesso. E vem mais por aí

No concorrido mercado de jogos, produtoras nacionais de games indies vêm chamando a atenção do mundo – e até do governo – com trabalhos criativos, envolventes e com bom nível artístico. A gaúcha Swordtales e a brasiliense Behold Studios ficaram conhecidas por lançar, respectivamente, Toren (um conto de fadas em estilo aventura) e Chroma Squad (RPG que homenageia antigos seriados japoneses).

Em Toren, o jogador controla a mocinha Moonchild (Criança da Lua, em português), presa na torre que tem o mesmo nome do jogo. Ela está na parte de baixo do cativeiro e precisa chegar ao topo para se libertar, não sem antes resolver uma série de desafios pelo caminho e depois enfrentar um dragão. À medida que o jogo avança, sua origem vai sendo revelada, assim como o universo a que pertence.

Já o Chroma Squad é um desafio dois em um. A história começa quando cinco dublês de um programa de super sentais (aqueles heróis japoneses de roupas colantes apertadas e coloridas, como os Power Rangers, que saem combatendo monstros pela cidade) resolve fazer o seu próprio show de TV.

O jogador controla o grupo de cinco heróis, que precisa gravar programas de sentai começando do zero: contratando atores, definindo figurinos e criando um bom roteiro. À medida que a audiência sobe, mais dinheiro entra, o que permite comprar equipamentos melhores de gravação e brigar com a concorrência em melhores condições no modo multiplayer.

E o Horizon Chase, da gaúcha Aquiris, agradou o público com uma corrida de carros em 2D com visual retrô que tem ao fundo paisagens como o Rio de Janeiro e a Chapada Diamantina.

O sucesso do jogo está na simplicidade, garante Israel Mendes, diretor de marketing da Aquiris. “Os jogos estão mais complexos. Antigamente, o foco era a diversão. Hoje é a simulação, o que afasta o jogador que quer algo descompromissado e que não sabe o que é suspensão ou torque.”

Essas são alguns jogos em evidência. Há outros bem recomendados, como o Aritana e a Pena da Harpia e o 99Vidas, onde os desenvolvedores buscam recursos para terminar o jogo via crowdfunding.

De todos os games citados, o Toren foi o único que conseguiu captar investimentos por meio da Lei Rouanet. Mas os bons resultados das desenvolvedoras não passaram despercebidos pelo governo, que estuda formas de ajudar novos desenvolvedores a se destacar no mercado.

Uma reunião entre representantes do setor privado e órgãos do governo ocorrida em setembro reuniu a Abragames (associação de desenvolvedores de jogos digitais) e os ministérios da Cultura (MinC), Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e Educação (MEC), para reunir informações e experiências e criar políticas públicas de desenvolvimento de games.

Também participaram o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), SP Cine e Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Ale McHaddo, presidente da Abragames, disse que o objetivo é regulamentar o setor, definir regras claras para o mercado e criar mecanismos de fomento financeiro em produções nacionais.

O que todos concordam é que não se trata apenas de baixar impostos para baratear o preço dos videogames. Desenvolver uma indústria nacional de games passa pelo surgimento de mais cursos para desenvolvedores, criação de mercado consumidor e capilaridade de investimentos. Com a reunião entre governo e setor privado, fica uma sensação otimista de que o caminho está aberto.

Internet das coisas: os aparelhos da Samsung que vão deixar sua vida mais conectada

Na IFA, maior feira de tecnologia da Europa que acabou no último dia 7, a Samsung mostrou como as casas vão funcionar quando os aparelhos domésticos forem conectados à internet.

“Para a Samsung, a IFA 2015 tem tudo a ver com a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). Temos certeza que a IoT vai revolucionar o mundo dos eletrônicos de consumo, e esta é a nossa oportunidade de atualizar a todos sobre o quanto avançamos em apenas um ano”, disse Won-Pyo Hong, diretor de marketing da Samsung Electronics.

Hong se referia a dispositivos como o SmartThings, sensor em forma de cubo que envia informações ao app instalado no smartphone sobre todos os produtos que estiverem conectados à plataforma. Isso quer dizer que, do celular, o dono pode ligar e monitorar câmeras, cafeteiras e até a máquina de lavar.

O cubo se conecta a outros sensores que fazem funções diversas, como detecção de movimento, câmeras e controle de eletrodomésticos. No trabalho, uma mãe pode receber uma mensagem ou visualizar as imagens de seu filho chegando em casa.

O mesmo processo de monitoramento pode ser usado para saber se alguém invadiu a casa: quando há movimento, as câmeras são acionadas e disparam as imagens pelo smartphone.

O SmartThings não foi o único dispositivo IoT anunciado pela fabricante coreana. O SleepSense é um monitor inteligente de sono, que ajuda o usuário a dormir melhor. Colocado debaixo do colchão, o aparelho registra a respiração, os batimentos cardíacos e a movimentação durante o sono. E quando o usuário adormece, o dispositivo desliga automaticamente a TV e ajusta o ar condicionado para a configuração mais favorável a um sono tranquilo.

Ao acordar no dia seguinte, o usuário pode ligar a cafeteira via celular, enquanto se lava e escova os dentes, e tomar o café logo em seguida. Saindo para o trabalho, se o dono tiver uma BMW ou Volkswagen, pode destravar o carro remotamente e checar as condições de funcionamento do veículo pelo smartphone.

Ao dirigir, pode conectar o celular ao carro e receber ligações, ouvir a música do playlist e consultar a melhor rota para o trabalho. Mas, por enquanto, a Samsung só tem parceria de IoT com as duas montadoras.

As tecnologias de IoT caminham a passos largos, como demonstrou o executivo da Samsung. O futuro em que as pessoas podem monitorar o que se passa em suas casas já é realidade.

Por outro lado, o preço cobrado pela tecnologia é que o usuário tem que andar com um celular o tempo inteiro, para checar informações e interagir no mundo virtual. Para quem acha que isso está longe de ser uma comodidade, o jeito é deixar o smartphone desligado e esquecer o mundo virtual por pelo menos algumas horas.

Mais seguro e sob demanda: a liberdade de assistir conteúdo digital via streaming

Enquanto o Netflix, líder de conteúdo por streaming, dá os primeiros passos na produção de filmes para cinema, a Apple, que estreou no nicho de streaming com o Apple Music, agora pensa em criar filmes em um serviço próprio de vídeos sob demanda para a TV.

É uma forma de não ficar para trás em um segmento que se populariza no mundo inteiro, e que anda derrubando o mercado de downloads de música, filmes e jogos. A Apple sentiu na pele o que isso significa, uma vez que o seu serviço de downloads iTunes está sendo diretamente afetado.

Faz todo o sentido colocar os pés na seara do streaming. O instituto Nielsen Music divulgou que em 2014 a venda de álbuns digitais via download caiu 9% e a de músicas, 12%, ao mesmo tempo em que o consumo de serviços de streaming de vídeo e áudio cresceu 50% – o que dá 164 bilhões de musicas transmitidas. Diante dessa movimentação, ninguém duvida que a principal forma de consumo de música e vídeo nos próximos anos será via streaming.

A regra do jogo é aumentar a base de clientes, para depois cobrar por serviços agregados. A sueca Spotify, por exemplo, oferece um acervo de mais de 30 milhões de canções disponíveis aos seus sessenta milhões de usuários. Quinze milhões deles assinam a versão paga, o que dá a eles o direito de usar o app sem visualizar anúncios entre uma música e outra e também ouvir em modo offline.

Mesmo quem não é do ramo está adaptando suas plataformas para o streaming. Facebook e Twitter estão desenvolvendo funcionalidades para vídeos gravados e transmissões ao vivo, oferecendo à sua audiência novas experiências interativas.

Os fãs de streaming argumentam que assistir conteúdo sob demanda é mais seguro do que baixar arquivos de origem desconhecida. Além disso, é uma forma de acessar conteúdo legalmente, o que aumenta as possibilidades dos autores de viver de suas obras.

Eles também se sentem mais livres de uma programação rígida e pouco flexível oferecida pelos estúdios de TV. Via streaming, eles podem assistir ao conteúdo quando e onde bem entenderem. Isso muda a forma como se mede a audiência. O fato de um programa ter baixa receptividade na hora da transmissão não é mais um sinal inequívoco de que ela tem que ser cancelada. Ela pode ser armazenada em sistemas de transmissão via internet para visualizações futuras.

A transmissão por streaming não está mudando apenas o formato de conteúdo próprio das emissoras. O site Twitch.tv, por exemplo, permite streaming de jogos online e já tem 50 milhões de acessos mensais. Os usuários podem acompanhar os jogos em tempo real e interagir com os jogadores via chat ou voz. Empreendedores podem criar cursos à distância, ou mesmo a transmissão de eventos ao vivo.

Operadoras de telefonia querem competir em igualdade com Netflix e WhatsApp no Brasil

A discussão vai esquentar. Em um congresso de telecomunicações no início de agosto, o presidente da operadora Telefonica/ Vivo, Amos Genish, chamou o aplicativo WhatsApp de “pirata”, acusando a empresa americana de se aproveitar da infraestrutura de telefonia sem dar as mesmas contrapartidas tributárias das operadoras do setor.

“É pirataria no pior sentido, é um operador na Califórnia, usando nossos números e clientes e sem obrigações regulatórias, jurídicas e fiscais (no Brasil)”, disparou Genish.

Assim como o Facebook (que controla o WhatsApp) e Netflix, o app de conversa usa um modelo de negócio conhecido no mercado como over-the-top (OTT, serviço baseado em outro oferecido por uma operadora – no caso, chamadas de áudio, vídeo e mensagens).

Genish argumenta que nenhuma das operadoras OTT está obrigada a contribuir com o Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações), criado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Na Vivo, por exemplo, a contribuição ao fundo chega a quatro bilhões de reais todo ano, de acordo com o executivo.

Por esse e outros motivos, Genish fez questão de dizer que a Vivo nunca fará parceria comercial com o WhatsApp. Em relação ao app, as demais operadoras mostram estratégias distintas. A Claro oferece acesso gratuito ao app na compra do seu pacote de dados, enquanto que a Tim cobra pelo serviço e a Oi não inclui o app no pacote de dados.

O que há em comum entre as operadoras é o desejo de ver o mercado de banda larga regulamentado. Elas querem entregar até o final do ano um documento solicitando regras de atuação para serviços como o WhatsApp e o Netflix. As operadoras alegam que as empresas OTT usam a infraestrutura de dados e telefonia sem pagar por elas.

A Netflix se defendeu, dizendo que é uma empresa sediada no Brasil e paga, sim, todos os impostos devidos. Mas não os do setor de telefonia, porque não pertencem ao ramo – argumentação confirmada pela Anatel.

Em entrevista ao Revista Brasil, a advogada especialista em Direito Digital Gisele Arantes discordou da tese das operadoras de que as OTT usam a infraestrutura delas de graça. “Quando um usuário utiliza o WhatsApp, por exemplo para o serviço de voz, antes de mais nada está demandando um serviço de dados da operadora, então ele não está pagando pela ligação, que ele pagaria pelo plano normal, mas está pagando pelo serviço da internet. Não utiliza o plano de voz, mas utiliza o plano de dados”, argumenta a especialista.

O governo já deixou claro que pretende atuar na questão. No dia 19, o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, afirmou que é preciso regulamentar aplicativos como Whatsapp, Skype, Netflix e Youtube. “Dá para dizer que esses aplicativos estão operando à margem da lei”, segundo o ministro, que defende “tratamento equânime a serviços de telecomunicações e novos serviços de internet”.

A polêmica que está acontecendo no setor de telecomunicações é parecida com a que acontece entre os taxistas e o aplicativo Uber. Com tempo, é possível regulamentar e taxar uma nova atividade, gerando impostos para o governo e oportunidades de empreendedorismo. Mas, no caso da polêmica da banda larga, desestimular o seu surgimento vai atrasar a desenvolvimento tecnológico, além de ir contra a democratização do acesso à rede mundial de computadores previsto no Marco Civil da Internet.

Aparelho ‘Xing ling’? Que nada, é Made in China

Ao menos no que se refere aos smartphones, os aparelhos chineses estão deixando de ser conhecidos pelo apelido genérico de ‘xing ling’ – dado aos produtos eletrônicos de baixa qualidade que imitam marcas conhecidas.

Fazendo aparelhos cada vez melhores e com dinheiro de sobra para gastar, as empresas chinesas de celulares e de tecnologia em geral estão mudando a percepção do mercado mundial em relação aos seus produtos e serviços. Um processo que poderia ser acelerado se os chineses investissem mais em posicionamento de marca e atendimento ao cliente.

Lenovo

A primeira grande marca chinesa a se tornar conhecida mundialmente foi a fabricante de notebooks Lenovo. Ela conquistou sua fatia global ao comprar a divisão de PCs da IBM e a de celulares da Motorola há alguns anos. No Brasil, adquiriu a CCE. E para quem acha que a Asus e a Acer vieram antes, é preciso destacar que ambas são taiwanesas.

No ramo de smartphones e telecomunicações, há empresas chinesas de classe mundial como Xiaomi e Huawei. Elas chegaram ao topo do multibilionário mercado consumidor da China vendendo produtos de alta qualidade a preços baixos. A Xiaomi contratou um brasileiro, Hugo Barra, para conduzir o processo de internacionalização nos mercados emergentes. No Brasil, os smartphones Xiaomi Mi 4 são um sucesso de vendas devido ao baixo preço e alto desempenho.

Tanto a Lenovo como a Xiaomi estão apostando em crescimento orgânico – compra de concorrentes e abertura de operações locais – para se tornarem conhecidos. No Ocidente, é preciso turbinar essa estratégia com construção de marcas e serviços de pós-venda (assistência técnica e atendimento ao cliente).

O exemplo da JAC

É um exemplo que as fabricantes chinesas de tecnologia poderiam aprender com a sua conterrânea JAC Motors. No Brasil, a montadora chinesa gastou uma fortuna para fazer com que o apresentador Faustão anunciasse seus carros na TV. Apesar da boa qualidade dos carros e preços em conta, as vendas patinaram. A JAC não avaliou que era preciso estocar peças de reposição em número suficiente para atender às demandas dos clientes. Elas demoravam a chegar e eram caras, porque tinham que ser enviadas da China.

De acordo com um executivo de marketing de uma empresa chinesa de tecnologia, os asiáticos são muito conservadores no que se refere a marketing e comunicação. Para construir marcas admiradas, ele lista algumas ações:

  1. a) ter um serviço de pós-venda impecável para nenhum consumidor falar mal da marca;
  2. b) ter um time de redes sociais trabalhando o engamento e simpatia do consumidor;
  3. c) apoiando causas que são caras aos consumidores: sustentabilidade e patrocínio de esportes;
  4. d) investir em publicidade “inspiracional”, que não é focada em venda, mas em mostrar uma imagem ‘cool’ da marca

Além de smartphones, Xiaomi vende purificador de água. Faz sentido?

No mesmo 16 de julho em que a fabricante chinesa de celulares Xiaomi anunciava seu primeiro modelo de TV de alta definição, o Mi TV 2S, um novo purificador de água roubou as atenções do mercado de tecnologia.

O aparelho que desviou as atenções é o Mi Water Purifier, da própria Xiaomi. No formato de uma caixa branca comprida (tem 40 cm de altura e uns 20 cm de largura), o filtro cumpre bem a função de eliminar resíduos bacteriológicos, físicos e químicos da água.

Tecnologicamente falando, o grande diferencial do Mi Water é a interação por meio da internet das coisas. Pelo celular, é possível consultar a qualidade da água filtrada e o tempo que falta para a troca do filtro. Quando a hora chega, é possível comprar o refil pelo app do purificador.

Disponível na China, o aparelho custa 1.300 yuans (ou 670 reais, de acordo com a cotação média de julho). O brasileiro Hugo Barra, vice-presidente da Xiaomi, disse que a empresa pensa em levar o Mi Water para outros mercados – começando pela Índia. Para o Brasil, não há previsão.

A aposta da Xiaomi em produtos tão diversificados tem como objetivo atrair ainda mais a sua jovem clientela. Vendendo smartphones tão potentes quanto o das principais marcas pela metade do preço, a empresa conquistou dezenas de milhões de universitários e consumidores que estão entrando na vida adulta.

Assim que o seu público amadurecer, vai querer comprar utensílios para a casa. Começando com purificadores e TVs, a Xiaomi quer ser lembrada como uma marca de tecnologia e também de utilidades para o lar. Ou de estilo de vida, como a fabricante prefere.

Com muito dinheiro e capacidade de inovação, as empresas de tecnologia perceberam que podem reinventar produtos tradicionais. Enquanto a Apple e o Google se envolvem com carros próprios automatizados, a chinesa Xiaomi prefere diversificar seus produtos para segmentos mais caseiros.

O desenvolvimento acelerado da internet das coisas permitirá cada vez mais a comunicação virtual entre diversos objetos. Hoje, com um celular, é possível controlar remotamente a programação de TV ou checar se a água da casa está boa para beber. Amanhã, será a casa inteira.

Você trocaria um táxi pelo Uber?

Do mesmo jeito que o aplicativo Uber está fazendo sucesso entre os usuários, está causando uma enorme polêmica. Pelo app, o consumidor pode fazer uma corrida em um carro de luxo e pagar com base na distância percorrida. Ou seja, usar um serviço de transporte gourmet, para usar a expressão da moda.

Quem não está nada feliz são os taxistas, que acusam o Uber de concorrência desleal. Ao contrário dos taxistas, os motoristas do Uber não precisam de licença para operar nem recolhem impostos – o que aumenta, de fato, a sua lucratividade. Além disso, os motoristas parceiros do Uber são particulares que compraram um veículo de luxo e resolveram se associar ao aplicativo.

Quem usou o Uber considerou o serviço muito bom. Os carros são novos, confortáveis e os motoristas trabalham de terno e gravata. Eles também são muito educados e atenciosos. E o valor da corrida não é tão diferente ao da tarifa cobrada pelos taxistas.

Em uma cidade como São Paulo, onde conseguir um táxi nos horários de pico é um exercício de paciência, o Uber pode ser uma alternativa viável. Para melhorar a convivência entre os taxistas, penso que o governo poderia estudar formas de regulamentar e taxar a atividade.

Proibir o app, como quer a Prefeitura de São Paulo, não parece ser a melhor solução. A tecnologia cria, muda e destroi negócios o tempo todo, e quem souber se adaptar terá uma grande vantagem competitiva.

No domingo (5/7), o colunista do Estadão Renato Cruz fala sobre a polêmica do Uber em São Paulo, emitindo uma opinião, a meu ver, bastante coerente: “o que chama atenção nessa história toda é que as autoridades, no lugar de buscar uma maneira de regularizar o serviço, procuram um jeito de tirá-lo de operação. Se o Uber não paga impostos, deveria ser autuado pela Secretaria Municipal de Finanças, e começar a pagá-los. Se representa concorrência desleal aos táxis, deveria ser criado um regulamento para reduzir essa assimetria, de preferência facilitando a vida dos taxistas, e não dificultando a atuação do Uber.”