Sem volante e sem pedais: o carro do Google vem aí

Se depender do Google, dirigir com as mãos no volante vai virar coisa do passado dentro de alguns anos. Até 2020, deverão estar disponíveis nas lojas americanas as primeiras versões comerciais do Google Self-Driving Car, um miniveículo de dois lugares mais conhecido pela sigla SDC.

O carrinho parece uma miniatura do Fiat 500, mas tem espaço de sobra para acolher os dois passageiros. Será que é porque não tem volante nem pedais? Provavelmente sim, porque eles não fazem falta no protótipo.

Sensores no teto e nas laterais do carro são ativados assim que o motor é ligado. Para isso, basta apertar o botão no meio dos passageiros. Nesse instante, o carro se conecta com o Google Street View, que calcula a melhor rota a ser usada.

Sistemas de inteligência artificial, radares e sensores LIDAR (tecnologia ótica que usa ondas de luz para colher informações sobre o ambiente) começam a guiar o carro pelas ruas, a uma velocidade de aproximadamente 40 km/h.

A sensibilidade do carro para obstáculos é grande, de acordo com os desenvolvedores do projeto. Quando necessário, o SDC respeita sinais vermelhos e desvia de pedestres, ciclistas e outros carros.

Ok, mas qual a chance de um carro sem volante, de dois lugares e que não ultrapassa 40 km/h fazer sucesso? Na verdade, o SDC cai como uma luva para pessoas idosas, com alguma limitação física ou que simplesmente não querem dirigir.

Certamente o carro do Google não vai tornar os carros atuais obsoletos. Tanto que a própria empresa descartou a ideia de se posicionar como fabricante de automóveis. O objetivo do SDC é se tornar uma opção de mobilidade para pessoas que não querem ou não podem dirigir.

Nos Estados Unidos, a infraestrutura tecnológica de dados torna o desenvolvimento de um invento como o SDC totalmente viável. Por aqui, resta torcer para a nossa rede de dados aumentar e suportar a navegação por GPS em larga escala para, quem sabe, ter os SDC no menor tempo possível.

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Mais seguro e sob demanda: a liberdade de assistir conteúdo digital via streaming

Enquanto o Netflix, líder de conteúdo por streaming, dá os primeiros passos na produção de filmes para cinema, a Apple, que estreou no nicho de streaming com o Apple Music, agora pensa em criar filmes em um serviço próprio de vídeos sob demanda para a TV.

É uma forma de não ficar para trás em um segmento que se populariza no mundo inteiro, e que anda derrubando o mercado de downloads de música, filmes e jogos. A Apple sentiu na pele o que isso significa, uma vez que o seu serviço de downloads iTunes está sendo diretamente afetado.

Faz todo o sentido colocar os pés na seara do streaming. O instituto Nielsen Music divulgou que em 2014 a venda de álbuns digitais via download caiu 9% e a de músicas, 12%, ao mesmo tempo em que o consumo de serviços de streaming de vídeo e áudio cresceu 50% – o que dá 164 bilhões de musicas transmitidas. Diante dessa movimentação, ninguém duvida que a principal forma de consumo de música e vídeo nos próximos anos será via streaming.

A regra do jogo é aumentar a base de clientes, para depois cobrar por serviços agregados. A sueca Spotify, por exemplo, oferece um acervo de mais de 30 milhões de canções disponíveis aos seus sessenta milhões de usuários. Quinze milhões deles assinam a versão paga, o que dá a eles o direito de usar o app sem visualizar anúncios entre uma música e outra e também ouvir em modo offline.

Mesmo quem não é do ramo está adaptando suas plataformas para o streaming. Facebook e Twitter estão desenvolvendo funcionalidades para vídeos gravados e transmissões ao vivo, oferecendo à sua audiência novas experiências interativas.

Os fãs de streaming argumentam que assistir conteúdo sob demanda é mais seguro do que baixar arquivos de origem desconhecida. Além disso, é uma forma de acessar conteúdo legalmente, o que aumenta as possibilidades dos autores de viver de suas obras.

Eles também se sentem mais livres de uma programação rígida e pouco flexível oferecida pelos estúdios de TV. Via streaming, eles podem assistir ao conteúdo quando e onde bem entenderem. Isso muda a forma como se mede a audiência. O fato de um programa ter baixa receptividade na hora da transmissão não é mais um sinal inequívoco de que ela tem que ser cancelada. Ela pode ser armazenada em sistemas de transmissão via internet para visualizações futuras.

A transmissão por streaming não está mudando apenas o formato de conteúdo próprio das emissoras. O site Twitch.tv, por exemplo, permite streaming de jogos online e já tem 50 milhões de acessos mensais. Os usuários podem acompanhar os jogos em tempo real e interagir com os jogadores via chat ou voz. Empreendedores podem criar cursos à distância, ou mesmo a transmissão de eventos ao vivo.

PSafe é acusada de concorrência desleal no Brasil

Um caso de concorrência desleal no setor de TI se transformou em processo judicial. A PSafe, desenvolvedora do antivirus PSafe Total e controlada pelo grupo chinês Qihoo, está sendo processada pela concorrente Baidu na Justiça de São Paulo. A denúncia foi feita na sexta-feira (14/8).

Desleal

Acusada de manipular informações sobre a concorrência e práticas desleais de mercado, a PSafe pode sofrer uma multa de mais de R$ 500 mil e ser obrigada a retirar seu app do Google Play, caso seja condenada. A desenvolvedora Baidu, responsável pelo buscador de mesmo nome e dos apps DU Speed Booster e Baidu Browser, alega que a PSafe está enviando mensagens falsas aos usuários há pelo menos duas semanas.

A ação do concorrente provocou uma desinstalação maciça de apps da Baidu nos últimos dias. Por isso, a empresa quer que a PSafe remova os alertas falsos e se retrate publicamente, além de ressarcir os prejuízos. “Em função dos graves e recorrentes prejuízos causados pelas atitudes não-competitivas, o Baidu se vê obrigado a pedir à Justiça brasileira que impeça a PSafe de continuar enganando seus usuários”, de acordo com comunicado.

Uma perícia sobre as mensagens do PSafe Total foi realizada pelo pesquisador Paulo Lício de Geus, professor associado da Unicamp e doutor em Ciências da Computação pela Universidade de Manchester (Reino Unido), a pedido do Baidu. Depois de vários testes, Geus constatou que, quando um usuário do PSafe Total tenta baixar o DU Speed Booster (app de aceleração de desempenho), surge um alerta advertindo sobre os “riscos” do app ao usuário, pois, ao “pedir permissões excessivas”, o uso poderá ser para fins “maliciosos”.

A deslealdade não para por aí. Assim que o usuário do PSafe Total começa a excluir um app qualquer do smartphone, recebe uma solicitação para deletar outros apps pouco usados. Só que, além dos menos acessados, também são apagados, invariavelmente, os aplicativos do Baidu – mesmo que eles sejam sempre utilizados. Os apps mais deletados são o DU Speed Booster, DU Battery Saver e Baidu Browser.

Geus também fez alguns testes para verificar se o software antivirus do PSafe estaria eliminando equivocadamente outros apps, e descobriu que o PSafe Total realmente desinstala programas do Baidu. A prova é que o perito criou um app sem funções, chamado de Dummy Browser, e o registrou como software do Baidu.

Quando o app foi instalado em um aparelho com PSafe Total, logo chegou uma notificação alegando que o aplicativo – sem função nenhuma e criado especificamente para teste – era “perigoso”, com a sugestão de excluir o mesmo.

A julgar pelo histórico da Qihoo, controladora da PSafe, é bom os concorrentes brasileiros se precaverem. Ela é acusada de concorrência desleal em vários países, e não é difícil suas polêmicas irem parar nos tribunais.

Mercado de TI também sofre com a escassez de água

Como a falta de água mexe com o setor de TI (tecnologia da informação) e telecom? De várias formas, de acordo com especialistas de tecnologia. “Tendo uma matriz baseada na hidroeletricidade [que representa cerca de 70% do parque gerador brasileiro], tenho dificuldade em oferecer energia”, explica Pietro Delai, gerente de consultoria e pesquisa do IDC Brasil, em evento na Amcham (Câmara Americana de Comércio), realizado no final de janeiro.

Essa carência de energia afeta o posicionamento do setor, continua Delai. “(A hidrelétrica de) Itaipu, no Paraná, está oferecendo energia abundante a muitas empresas de datacenter que se mudarem para lá.” Como grandes consumidores de energia, empresas do setor de TI e telecom passam a levar muito em conta a instalação de estruturas perto de fontes energéticas.

Apesar das perspectivas de crescimento restrito, Delai enxerga oportunidades no setor. Em TI, a escassez de energia deve criar um movimento de atualização de parque tecnológico. “Temos uma geração de máquinas de storage e servidores de 5 a 6 anos que têm eficiência energética menor. Os processadores atuais dão mais operações por quilowatt (Kw) do que os equipamentos anteriores. Hoje, com o mesmo custo energético de 1 giga, se consegue produzir 10 giga”, argumenta.

O consultor Eduardo Tude, CEO da Teleco, disse que as oportunidades serão mais bem aproveitadas nas localidades com melhor infraestrutura tecnológica. “Uma migração desse tipo (de TI) vai acontecer em cidades com infraestrutura de telecom. Não se pode imaginar que uma empresa se mude para uma cidade sem internet de alta velocidade.”